31.8.12


Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar.

A menina sempre reza. Baixinho. Embaixo do chuveiro. Pedindo para acreditar que suas preces são ouvidas. Para a vida deixar de querer ser cinza. Para o travesseiro deixar de ser seu único companheiro. Para a tela deixar de ser o único meio. Para as palavras terem vontade de ser mais alegres. Pede para o fardo ser mais leve. Pede para a cabeça deixar de ser dura. E para o coração parar de insistir em se contradizer. Ela reza. Baixinho. Tem medo. De falar sozinha, sempre.

Eu me apaixonaria quantas vezes fosse necessário. 
Por você vale a pena fazer aquelas loucuras de amor que a gente ouve por aí.

28.8.12

Coração não é tão simples quanto pensa, nem cabe o que não cabe na dispensa.
Cabe o meu amor, cabem três vidas inteiras, cabe uma penteadeira, cabe nos dois.

25.8.12


Nem todos os dias serão de paz, e nem todas as bocas darão beijos. 
Nem toda mão dará carinho e nem todo coração será pleno de amor. 
Sei que a vida tem seu lado negro - 
mas é pela paz que existe no outro lado dela que eu continuo vivendo.

24.8.12

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.