31.8.12


A menina sempre reza. Baixinho. Embaixo do chuveiro. Pedindo para acreditar que suas preces são ouvidas. Para a vida deixar de querer ser cinza. Para o travesseiro deixar de ser seu único companheiro. Para a tela deixar de ser o único meio. Para as palavras terem vontade de ser mais alegres. Pede para o fardo ser mais leve. Pede para a cabeça deixar de ser dura. E para o coração parar de insistir em se contradizer. Ela reza. Baixinho. Tem medo. De falar sozinha, sempre.

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